Geralt de Rívia nunca foi de esperar parado. Ao que tudo indica, seus fãs também não são.
Enquanto The Witcher 4 segue no horizonte sem data de lançamento confirmada — apenas aquela arte conceitual linda e a promessa de que será enorme —, uma parcela da comunidade decidiu não ficar olhando para a parede. E agora, pela primeira vez, The Witcher 3: Wild Hunt tem multiplayer funcionando.
Não é uma atualização oficial da CD Projekt Red. A empresa está com a cabeça no Witcher 4 e, por mais improvável que pareça, não lançaria multiplayer para um jogo de 2015 sem um plano de negócios por trás. O que aconteceu foi outra coisa: a comunidade fez.
Uma atualização de mod permitiu a jogadores explorar o Continente acompanhados de outros — sem destruir a narrativa single-player que consagrou o título, sem converter o RPG num live service, sem monetização agressiva. Só jogadores que queriam mais do que Geralt consegue dar sozinho.
Parece simples. Não é.
The Witcher 3 foi lançado em 2015. Tem 11 anos. Em games, isso é tempo suficiente para três gerações de consoles e o surgimento de pelo menos duas modas de design que já morreram. E ainda assim: o jogo continua vendendo, continua sendo recomendado para iniciantes, continua gerando debate — e agora continua recebendo conteúdo novo, feito pela própria comunidade.
Não é nostalgia cega. É qualidade objetiva. Poucos RPGs da história tiveram construção de mundo tão densa, trilha sonora tão marcante e roteiro tão bem executado. Quando a base é essa, a comunidade não abandona — ela constrói em cima.
O mod multiplayer não mudou The Witcher 3. Ele revelou uma verdade que estava lá desde sempre: o mundo do Continente tem espaço para mais de um Witcher.
Essa é a parte mais interessante da história.
Quando uma comunidade cria seu próprio entretenimento enquanto espera pelo produto oficial, você pode ler isso de dois jeitos. O primeiro: o fandom está desesperado, a espera é insuportável, algo está errado. O segundo — e mais correto, neste caso: o investimento emocional no universo é tão alto que as pessoas preferem criar a ficar paradas.
A CD Projekt Red está numa posição rara. Depois do lançamento catastrófico de Cyberpunk 2077 em 2020, a empresa passou anos reconquistando credibilidade — e conseguiu. The Witcher 4 vem carregado de expectativa genuína, não de ceticismo. Isso é um ativo valioso que pode ser desperdiçado muito facilmente.
Um multiplayer mod ativo, com jogadores reais, em 2026, é um termômetro. A temperatura está alta. A torcida existe. Agora é entregar.
The Witcher 4 vai protagonizar Ciri, não Geralt. A mudança é ousada e gerou debate — mas CD Projekt Red tem histórico de tomar decisões que parecem erradas no papel e funcionam na tela. A aposta vale.
Enquanto isso, The Witcher 3 segue vivo por força própria. E agora com amigos.
Há algo quase poético nisso: o jogo que redefiniu o RPG moderno, 11 anos depois, ainda encontrando formas de surpreender. Não por DLC pago, não por sequência apressada — mas porque a comunidade não quis deixar o Continente silencioso.
Geralt sobreviveu a Nilfgaard, ao Caos e ao Wild Hunt. Vai sobreviver a uns fanboys com acesso ao GitHub também.