Tolkien descartou a ideia. A Warner contratou Stephen Colbert para desenvolvê-la.

A Warner anuncia segunda sequência do Senhor dos Anéis com roteiro do apresentador americano e uma protagonista que Tolkien jamais escreveu

A Warner Brothers achou o roteirista ideal para a sequência do Senhor dos Anéis. Não é um especialista em Tolkien, não é um veterano de literatura fantástica. É Stephen Colbert, apresentador americano de late-night, fã confesso da obra — e agora coinventor de personagens que Tolkien jamais imaginou.

O anúncio veio acompanhado da benção de Peter Jackson, que apareceu nas redes sociais para apresentar Colbert como parceiro no projeto. Jackson confirmou que os dois trabalham juntos no roteiro há pelo menos dois anos, com a produtora Philippa Boyens também envolvida.

O que o filme vai contar

A logline oficial da Warner: 14 anos após a morte de Frodo, Sam, Merry e Pippin partem para refazer os primeiros passos da aventura. Enquanto isso, a filha de Sam, Eleanor, descobre um segredo enterrado e quer entender por que a Guerra do Anel quase foi perdida antes de começar.

Eleanor não existe nos livros. Tolkien não a escreveu. É um personagem inventado para uma história inventada, inserida num universo que pertence a outra pessoa.

Colbert disse, ao apresentar sua visão, que queria adaptar capítulos da Sociedade do Anel que Jackson não filmou — a passagem “Três É Companhia” e a sequência nas Colinas dos Túmulos. O problema: a logline oficial não tem nada a ver com isso. É uma sequência ambientada décadas após a trilogia original, não uma exploração de cenas omitidas.

O padrão já é conhecido

Em A Guerra dos Rohirrim, a Warner pegou a filha sem nome de Helm Mão-de-Martelo nas páginas de Tolkien, inventou um nome e a colocou como protagonista. Helm, que dá nome ao conto e ao desfiladeiro, virou personagem secundário na própria história.

Eleanor segue o mesmo caminho. Sam, Merry e Pippin estão no cartaz como âncoras de nostalgia. A protagonista de fato, a que conduz a trama, é a filha inventada.

O que Tolkien pensava sobre sequências

Tolkien tentou escrever uma sequência de O Retorno do Rei. Abandonou. Na Carta 256, de 1964, dirigida a Colin Bailey, explicou por quê: “comecei uma história ambientada cerca de 100 anos após a queda de Mordor, mas se mostrou sombria e deprimente.”

O que ele teria escrito: um Gondor em paz se tornando inquieto, seitas satânicas secretas, adolescentes brincando de ser orcs. Conclusão: “poderia ter escrito um thriller sobre a conspiração, mas não valeria a pena.”

Em 1972, 15 meses antes de morrer, voltou ao assunto numa carta ao Padre Douglas Carter. Mesma conclusão. O manuscrito incompleto, com cerca de 13 páginas, foi publicado por Christopher Tolkien em Povos da Terra-média.

O autor considerou a ideia descartável. A Warner considerou a ideia e contratou um apresentador de televisão para desenvolvê-la.

A escolha de Colbert

Colbert escreveu o roteiro ao lado do filho, Peter McGee, também roteirista — colaboração que Jackson apresentou como algo natural. É natural também perguntar se McGee estaria no projeto sem o sobrenome.

O problema central não é a competência técnica de Colbert. É o que sua escolha sinaliza: um apresentador americano conhecido por posições políticas progressistas assinando um dos IPs mais amados da cultura ocidental, num estúdio que quer reposicionar essas histórias em torno de personagens femininos inventados.

Pode estar errado. O filme pode surpreender. Mas Os Anéis do Poder e A Guerra dos Rohirrim não deixam muito espaço para otimismo.

Tolkien disse que a história não valeria a pena fazer. A Warner fará mesmo assim — com a ajuda do filho do Colbert.

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