Kaitlyn Dever e Ian Alexander estão nas câmeras, e as fotos provam: The Last of Us 3 está filmando Abby e Lev em plena ação.
Registros do set da terceira temporada da série da HBO circulam nos bastidores do fandom e mostram a dupla no centro de uma sequência de ação. Sem detalhes de roteiro, sem contexto narrativo revelado, mas suficiente para confirmar que esses dois personagens têm peso real no que vem aí.
Poucas personagens na história recente dos games e das adaptações televisivas geraram tanto atrito quanto Abby. No jogo original, a estrutura de The Last of Us Part II foi desenhada para provocar raiva antes de pedir empatia. Funcionou porque o jogador controla fisicamente a personagem por horas antes de entender o que está acontecendo. Na série, essa operação é mais delicada: você assiste, e a empatia forçada pode soar manipulação.
A segunda temporada da HBO teve que vender Abby para um público já incendiado antes mesmo do primeiro episódio ir ao ar. Parte pela divisão que o jogo criou em 2020, parte pelas polêmicas do casting. O resultado foi desigual: Abby funcionou como personagem, a relação com Lev funcionou. O ritmo da temporada, porém, deixou arcos incompletos para quem não conhecia o material de origem.
Cenas de ação envolvendo Abby e Lev são parte natural da segunda metade do arco dessas duas personagens. No jogo, a jornada deles escala em intensidade física antes de chegar ao ponto mais divisivo da história inteira. Se a produção está filmando ação com os dois agora, a série está construindo o caminho para essa resolução.
Craig Mazin e Neil Druckmann já demonstraram disposição para adaptar em vez de apenas transpor. Algumas escolhas da segunda temporada divergiram do jogo de formas que fizeram sentido. Outras custaram timing narrativo. A questão central para a terceira temporada é direta: conseguirão fechar o arco de Abby com o impacto emocional que o material pede, sem perder o espectador pelo caminho?
No fundo, Abby é um teste. A estrutura da história exige que o público suporte sentir raiva por tempo suficiente para depois entender de onde ela vem. No jogo, uma mecânica sustenta isso. Na série, só a escrita pode produzir o mesmo efeito.
A segunda temporada plantou o terreno. Dever trouxe uma Abby que funciona — fisicamente crível, emocionalmente complexa, difícil de odiar apesar de tudo. Ian Alexander segurou bem a vulnerabilidade de Lev. O problema nunca foi o elenco. Foi o andamento da temporada, que precisou comprimir demais para encaixar tudo em menos episódios do que o arco pedia.
Se a terceira temporada conseguir fazer o espectador querer que Abby sobreviva, não por obrigação narrativa, mas por investimento genuíno na personagem, a adaptação terá cumprido o que o jogo tentou fazer. Com mais ou menos sucesso, dependendo de como você o leu.
As fotos do set não respondem isso. Mas as câmeras estão rodando. O relógio está correndo.