Sonic encontra Godzilla e o verdadeiro astro da HQ é o Dr. Eggman

Crossover que parecia piada no papel entrega o que prometeu — e o vilão careca rouba o show

No papel, a combinação soa como uma aposta de bêbados: o ouriço mais veloz do mundo dividindo páginas com o monstro mais famoso do cinema japonês. Crossovers improváveis existem há décadas nos quadrinhos, mas poucos têm tanto potencial para dar errado quanto esse. O primeiro número de Sonic the Hedgehog x Godzilla chegou às bancas com a missão impossível de convencer o leitor de que isso faz sentido.

Faz.

A IDW Publishing, responsável pela linha atual de histórias do Sonic, se uniu à Legendary Comics para produzir o crossover. No primeiro número, o tom está calibrado desde a primeira página: é uma aventura que leva seus personagens a sério sem se levar a sério demais. Difícil equilibrar isso. Quando funciona, parece óbvio. Quando falha, parece forçado. Aqui funciona.

O Eggman que faltava

O destaque do primeiro número não é Sonic nem Godzilla. É o Dr. Eggman. O vilão histórico da franquia aparece como deveria aparecer com mais frequência: oportunista, grandiloquente e genuinamente engraçado sem virar caricatura de si mesmo.

Há uma diferença entre um vilão que existe para perder e um vilão que existe para fazer a história funcionar. Eggman aqui é o segundo tipo. Ele entende o cenário melhor do que qualquer outro personagem, age de acordo com seus interesses com uma lógica própria e rouba cada cena que aparece. A HQ parece ter sido escrita por alguém que sabe que o público torce secretamente para ele.

Não é novidade que Eggman carrega potencial dramático subutilizado. O que é novidade é uma história que realmente o usa bem.

Um crossover com propósito

A pergunta que qualquer crossover precisa responder nas primeiras dez páginas é: por que esses dois? Não no sentido comercial. No sentido narrativo. O que tem na sobreposição desses universos que não existiria em cada um separado?

A resposta que esse primeiro número esboça é sólida. Sonic e Godzilla são, cada um a seu modo, forças além do controle humano que acabam agindo como guardiões involuntários. Colocá-los no mesmo espaço abre possibilidades que a história parece disposta a explorar, não apenas exibir.

O roteiro não tenta forçar uma amizade imediata entre os personagens, o que é a escolha certa. O mundo de Sonic é caótico por natureza, e Godzilla é uma ameaça que reorganiza qualquer narrativa em torno da sobrevivência. A tensão entre esses registros é o motor da história.

Momento certo

Sonic vive um de seus melhores momentos em décadas. O quarto filme da franquia está em produção, os jogos voltaram a ter identidade depois de anos de tropeços, e as histórias da IDW construíram uma continuidade sólida. É um bom momento para arriscar um crossover, porque a base está firme o suficiente para suportar o risco.

Godzilla, do lado dele, nunca teve mais relevância cultural. O MonsterVerse da Legendary segue em atividade, e o personagem tem presença crescente nos quadrinhos e na animação desde 2014.

Juntá-los agora, com ambas as franquias em forma, é a jogada certa. O primeiro número sugere que quem tomou a decisão sabia o que tinha nas mãos.

Se o restante da minissérie mantiver o nível, esse crossover vai terminar como exemplo de como fazer encontros impossíveis funcionarem. Por enquanto, o Eggman já garantiu que vale a pena.

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