Peter Jackson finalmente vai dirigir o sequel de Tintim, 19 anos depois da promessa

O cineasta de O Senhor dos Anéis assume a direção que sempre deveria ter sido sua no projeto que ficou parado por quase duas décadas

Às vezes a solução mais elegante para um sequel emperrado é a mais óbvia. Peter Jackson vai dirigir a continuação de As Aventuras de Tintim, aquele filme que Spielberg dirigiu em 2011, que prometia franquia, que gerou zero sequência e ficou décadas na gaveta de “em desenvolvimento”.

A Polygon confirmou: Jackson assume a cadeira de diretor do sequel. Ele já era o produtor executivo do original. Agora resolve o problema de vez.

Como chegamos aqui

O projeto nasceu de uma parceria improvável entre dois gigantes com origens opostas. Spielberg cresceu lendo Hergé nos EUA; Jackson cresceu lendo Hergé na Nova Zelândia. Os dois descobriram no fim dos anos 2000 que compartilhavam a mesma obsessão e fecharam um acordo: Spielberg dirigia o primeiro, Jackson o segundo.

O primeiro saiu em 2011 e foi bom, melhor do que muita gente esperava. A técnica de captura de performance, desenvolvida com o mesmo estúdio que havia feito Gollum e King Kong possíveis, entregou um Tintim fiel às linhas claras de Hergé e funcional como aventura de cinema. A sequência estava prometida.

E aí começou o problema clássico de Hollywood: a “sequência prometida” que vive eternamente no limbo. Jackson mergulhou na trilogia do Hobbit, um projeto que consumiu anos e gerou debates sobre ambição versus execução. Spielberg foi para outros lugares. O Capitão Haddock e Tintim ficaram esperando num porto imaginário.

O que muda com Jackson na direção

A decisão faz sentido técnico e criativo. Jackson co-desenvolveu esse universo desde o início, conhece o material e tem uma relação genuína com o personagem de Hergé. Parceiro de fundação, não cineasta de aluguel.

O desafio é outro. O primeiro filme foi feito num momento específico: 2011, quando a captura de performance ainda tinha o frescor do experimento caro e tecnicamente impressionante. Em 2026, o público está mais calibrado e menos impressionável com novidade técnica por si só. A técnica precisa se justificar como estética, não como novidade.

Há também a questão do mercado. O segmento de filmes família/aventura com visual híbrido está mais disputado, e a memória afetiva de Tintim é forte em partes do mundo, mas irregular nos EUA, mercado que ainda define se um blockbuster sobrevive ou não.

Jackson está de volta

O mais interessante desta notícia é o que ela diz sobre Peter Jackson, não sobre o personagem. Depois do Hobbit, que dividiu opiniões, o cineasta se dedicou a documentários: They Shall Not Grow Old (2018) e o monumental Get Back sobre os Beatles (2021). Bons trabalhos. Mas distantes do blockbuster de ficção.

Tintim é o retorno a esse terreno. E é terreno mais limpo do que qualquer coisa ligada a Tolkien: sem o peso de um universo expandido travado em disputas entre fãs, sem a bagagem de uma franquia em crise de identidade. Jackson pode trabalhar com mais liberdade do que teve nos últimos anos de Middle-earth.

Dezenove anos é tempo longo para um sequel. Hollywood já lançou continuações com intervalos maiores e resultados piores. A questão agora é simples: Jackson entrega, ou confirma que o projeto ficou esperando tempo demais.

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