Nolan no CinemaCon: The Odyssey É Cinema de Verdade — e Hollywood Não Merece

Nolan no CinemaCon: The Odyssey É Cinema de Verdade — e Hollywood Não Merece

O homem filmou o mundo inteiro em IMAX 70mm. A sala aplaudiu de pé. Hollywood continua sem entender por quê.

Homer escreveu a Odisseia há aproximadamente 3.000 anos. Sobreviveu a impérios, guerras, inquisições, revoluções culturais e à ascensão das plataformas de streaming. Sobreviveu a tudo.

E agora Christopher Nolan vai adaptá-la em IMAX 70mm, com Matt Damon como Odisseu, Tom Holland como Telêmaco e Anne Hathaway como Penélope.

Enquanto isso, a Marvel está na Fase 6. She-Hulk tem 96% no Rotten Tomatoes. Conecte os pontos.

O Que Aconteceu no CinemaCon

Na quarta-feira, 15 de abril, Nolan subiu ao palco do CinemaCon — o maior encontro anual da indústria exibidora, em Las Vegas — recebido com uma ovação de pé. Ele apresentou footage inédito de The Odyssey, seu longa seguinte ao Oppenheimer (sete Oscars, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor).

Perguntado por que escolheu Homero como próximo projeto, Nolan foi direto: “A Odisseia é uma história que fascinou geração após geração por 3.000 anos. Não é uma história — é A história.”

Ele não trouxe o elenco. Explicou o motivo com a ironia seca que lhe é característica: “Seria mais rápido me dizer quem não está no filme. Eu os traria todos aqui, mas o peso monumental de tanto talento extraordinário desmoronaria o palco.”

Sim. É esse o nível.

O Elenco, o Orçamento, o Alcance

Matt Damon como Odisseu, Anne Hathaway como Penélope, Tom Holland como Telêmaco, Zendaya como a deusa Atena, Robert Pattinson como Antínoo, Charlize Theron como Calipso, Lupita Nyong’o, Jon Bernthal, Benny Safdie, Mia Goth e até Travis Scott numa ponta de aedo épico. Orçamento estimado: US$ 250 milhões — o maior da carreira de Nolan. Filmado em Marrocos, Grécia, Itália, Islândia, Malta e Escócia.

E o detalhe que faz qualquer amante de cinema parar tudo o que está fazendo:

The Odyssey é o primeiro longa-metragem da história filmado inteiramente com câmeras IMAX.

Não “as cenas de ação em IMAX”. O filme inteiro. Diálogos, close-ups, cenas íntimas. Nolan disse que esse era um sonho que carregava desde os 16 anos. Levou décadas para que a tecnologia permitisse. A IMAX desenvolveu câmeras mais leves e silenciosas especialmente para o projeto — e Nolan foi o primeiro a utilizá-las por completo.

A Cena do Cavalo de Troia

A footage exibida no CinemaCon foi a do Cavalo de Troia. Milhares de homens arrastando a estrutura de madeira do mar para a praia. Os gregos lá dentro, imóveis, sufocando qualquer som enquanto lanças troianas perfuram a madeira ao redor. Silêncio absoluto. A tensão marcada apenas pelo score percussivo de Ludwig Göransson — que já tem um Oscar por Oppenheimer e está de volta.

A sala no CinemaCon ficou em silêncio. Depois, outra ovação de pé.

Tom Holland resumiu em outubro: “É uma obra-prima absoluta, e estou me excluindo dessa equação. É diferente de tudo que já vi antes. Me vi fazendo uma pergunta que não fazia sobre um filme há muito tempo: como você fez isso?”

Nolan foi mais econômico, como sempre: “Foi um pesadelo absoluto de filmar — mas do jeito certo. Tivemos um tempo incrível.”

Os ingressos para a abertura em IMAX 70mm já esgotaram um ano antes da estreia. Pois é.

Por Que Isso Importa (Além do Óbvio)

Há uma pergunta que circula pela indústria desde 2019: por que as salas de cinema estão vazias?

A resposta que Hollywood aceita: streaming, pandemia, mudança de hábito.

A resposta que Hollywood não aceita: porque ela parou de fazer filmes que justificam sair de casa.

Nolan é a exceção que prova a regra. Oppenheimer faturou US$ 952 milhões enquanto brigava de frente com a Barbie pelo mesmo final de semana. Dunkirk foi um filme de guerra de US$ 150 milhões sem protagonista reconhecível e faturou mais de US$ 500 milhões. Interstellar continua sendo descoberto e assistido como se fosse novo.

O segredo? Não tem segredo. Tem respeito pelo público. Tem narrativa como prioridade absoluta. Tem ambição artística que não pede desculpa por existir.

Nolan não explica sua visão em press junkets sobre “representatividade”. Não transforma Homero num manifesto político. Não faz um casting baseado em cotas e chama de ousadia. Ele aparece no CinemaCon, diz que o poeta grego escreveu a melhor história de todos os tempos e mostra um cavalo de madeira sendo arrastado do mar enquanto uma sala inteira da indústria para de respirar.

Me responda uma coisa: quando foi a última vez que um trailer da Marvel fez uma sala de exibidores profissionais aplaudir de pé?

Olha só. 17 de julho. IMAX. O homem nunca falhou ainda.


Fontes: Variety | The Hollywood Reporter | Deadline

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