Em meio a um mundo caótico em que as propagandas políticas e ideológicas dominaram as produções culturais, o Japão optou pelo contrário: fazer o básico que funciona. Enquanto a agenda progressista adotou a estratégia de tomar o controle de obras, integrar narrativas políticas e forçar mudanças criativas drásticas, as produções japonesas continuaram focadas em entreter.
E o resultado não poderia ser diferente, os mangás estão muito mais populares que as HQs ocidentais, por exemplo. Além disso, os animes já não são mais vistos como “coisa de criança”, como acontecia nos anos 1990 ou no início dos anos 2000. Em relação ao universo de heróis ocidentais, também houve uma evolução, porém foi muito por mérito da eficiência das produções iniciais. Atualmente, a popularidade não é tão grande quanto já foi.

Em meio a tudo isso, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão (METI) tem se movimentado proativamente para combater censura e intervenções políticas externas em obras japonesas. Assim, os autores podem se sentir mais protegidos e confortáveis, tomando decisões criativas mais convenientes para suas histórias e projetos.
Além disso, com os anúncios recentes de investimento pesado do governo japonês em produções culturais, não fica difícil fazer as contas e antecipar os inevitáveis resultados. A ideia é investir 6 trilhões de ienes em animes e 1 trilhão em mangás até 2033. Portanto, podemos esperar uma influência maior da cultura japonesa no mundo e até mesmo torcer por transformações na indústria do entretenimento no longo prazo.
Na esfera política, há quem critique toda e qualquer interferência estatal. Contudo, o caso do Japão é particularmente interessante, uma vez que já está mais do que provado que a cultura woke na própria cultura e até mesmo no pensamento crítico de cada um. E quando alguém se propõe a conceder liberdade criativa e criar ambientes seguros e saudáveis, é difícil encontrar motivos para reclamar.
De qualquer forma, também podemos dizer que o Japão não é o único que sai ganhando com esse tipo de medida, mas o próprio público ocidental. Enquanto os propagadores ideológicos ignoram o fato de que as pessoas em geral estão cansadas de ver tanta propaganda derretendo as obras, outros só querem ser eficientes. E num mundo globalizado, todos saem ganhando quando há uma “resistência” desse tipo.
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