The Last of Us S3 Está Sendo Filmada Agora — E Craig Mazin Está Sozinho na Maior Aposta Narrativa do Streaming

Neil Druckmann saiu. Kaitlyn Dever assumiu o comando. E em 2027, Craig Mazin terá que fazer você amar o personagem que você mais odeia.

As ruas de Vancouver estão irreconhecíveis. Carros enferrujados. Destroços apocalípticos. Veículos militares com a sigla WLF transitando por New Westminster. E Kaitlyn Dever — sim, a Abby, a mulher que matou Joel — correndo sobre os telhados de Gastown com uma adolescente de cabeça raspada ao lado.

The Last of Us Temporada 3 está em plenas filmagens. E 2027 vai ser, provavelmente, o julgamento final da série que prometeu ser a maior adaptação de videogame de todos os tempos.

O que está acontecendo

As filmagens da terceira temporada começaram em 2 de março de 2026 em British Columbia, Canadá, sob o título de produção secreto “Calm Current” — calmaria que, dado o que está por vir narrativamente, parece irônico demais para ser coincidência. A produção vai até 27 de novembro de 2026. Quase nove meses de set. Isso é ambição. Isso é dinheiro. Isso é HBO dizendo que não está brincando.

O CEO da HBO, Casey Bloys, confirmou à Variety: a temporada “está definitivamente planejada para 2027”. E sinalizou que pode ser a última. Craig Mazin ainda está trabalhando se serão mais duas temporadas ou uma última temporada mais longa. Ainda não foi decidido — mas as apostas são que a S3 encerra tudo.

O elenco montado para a batalha de Abby

Patrick Wilson — Aquaman, Watchmen, a franquia Conjuring — entra como Jerry Anderson, o pai de Abby. Se você jogou The Last of Us Part II, sabe exatamente qual é o peso narrativo desse personagem. A morte de Jerry é o motor moral de toda a trama de Abby. A razão de tudo. A escolha de Wilson para o papel sugere que a série vai expandir a relação pai-filha com uma profundidade que o jogo nunca teve espaço de explorar.

Jason Ritter entra como Hanley, soldado da WLF. Kyriana Kratter (Star Wars: Skeleton Crew, 15 anos) é Lev — de cabeça raspada e aljava de flechas nas costas, já fotografada nos telhados de Gastown. Michelle Mao (Bridgerton) é Yara. Os dois Serafitas que vão redefinir quem Abby é como ser humano. Clea DuVall entra em papel ainda não revelado entre os Serafitas. Jorge Lendeborg Jr. substitui Danny Ramirez como Manny por conflitos de agenda.

O elenco principal retorna: Kaitlyn Dever (Abby), Bella Ramsey (Ellie, em papel reduzido), Isabela Merced (Dina), Gabriel Luna (Tommy), Jeffrey Wright (Isaac).

O elefante na sala: Neil Druckmann foi embora

Em julho de 2025, Neil Druckmann anunciou sua saída como co-showrunner da série. O criador dos jogos, co-presidente da Naughty Dog, deixou a adaptação para focar no próximo grande projeto do estúdio: Intergalactic: The Heretic Prophet.

A saída foi amigável, pública, com declarações bonitas de todos os lados. Craig Mazin elogiou o parceiro. Druckmann falou em “destaque de carreira”. A HBO garantiu que há um “bom plano” para a série. Tudo muito organizado. Tudo muito ensaiado.

Me responda uma coisa: quando foi a última vez que um criador original saiu satisfeito antes do capítulo final e tudo correu perfeitamente? Não estou dizendo que é sempre a mesma história. Estou dizendo que quando o arquiteto principal sai antes do ato final, é sempre uma variável que o público precisa calcular.

Agora, aqui a coisa fica realmente interessante.

A aposta mais corajosa do streaming em 2027

The Last of Us S1 foi unanimidade absoluta. S2 dividiu — e eu vou defender que a divisão era, em boa parte, inevitável, porque o jogo divide da mesma forma. A morte de Joel funcionou narrativamente. Os fãs não estavam prontos. Os números caíram.

Agora a S3 vai fazer algo genuinamente audacioso: vai contar a história toda de novo. Os mesmos três dias em Seattle que vimos na S2 — mas inteiramente pela perspectiva de Abby. O personagem mais odiado da franquia. A mulher que matou Joel.

No jogo original, essa virada funcionou de um jeito que a série vai ter muito mais dificuldade de replicar. Você joga como Abby. A empatia nasce do controle, do investimento ativo, da física de estar dentro daquele corpo por horas. É game design convertido em ferramenta narrativa. Um truque que só existe em videogame.

Na série, você apenas assiste. Mazin precisa criar essa empatia exclusivamente com escrita e direção. E vai fazer isso pela primeira vez sem Druckmann como co-piloto.

Pois é. A conta é grande.

Mas vamos lá — o homem é Craig Mazin

O cara fez Chernobyl. Uma das melhores minisséries da história da televisão. Um estudo minucioso de tragédia, ambiguidade moral e personagens que você não consegue classificar como herói ou vilão. Exatamente o perfil que a história de Abby exige.

Mazin afirmou que vai dirigir o episódio de estreia da temporada, inspirado pela forma como Noah Hawley constrói a identidade visual de Fargo. A temporada vai ser mais longa que a S2 (sete episódios), com mais ação e escopo — voltando à grandiosidade da S1. E Druckmann, apesar de ter saído da showrunning, confirmou que permanecerá envolvido em “alto nível” para garantir fidelidade ao universo dos jogos.

Se alguém pode construir empatia por Abby apenas com câmera e roteiro, é esse cara. A pressão, porém, é máxima.

A conta chega em 2027

As imagens do set em Vancouver mostram uma produção indo all in. Sets que parecem ser o Haven dos Serafitas. Comboios militares da WLF pelas ruas de New Westminster transformadas em Seattle pós-colapso. Abby e Lev nos telhados de Gastown.

Em 2027, saberemos se Craig Mazin conseguiu o que Neil Druckmann fez com os jogos: transformar o personagem que você mais odiava no personagem pelo qual você mais torce.

É a maior aposta narrativa do streaming no momento. Está sendo filmada agora mesmo, em Vancouver.

A conta chega em 2027. E vai ser enorme.

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