Tem personagem que você torce para ter mais espaço na história desde o momento em que aparece na tela. Eri é uma delas. A garotinha de cabelos brancos e chifre na testa — que carregou um dos arcos mais pesados de My Hero Academia — finalmente vai ganhar um anime próprio. Se chama ‘I Am a Hero Too’ e vai acompanhá-la na fase do colégio.
A Toho Animation confirmou o projeto, que se apresenta como uma série de curtas animados com foco na rotina escolar de Eri. O título é uma referência direta ao grito de guerra de Izuku Midoriya — o que já diz muito sobre o tom emocional que o spin-off quer carregar.
Para quem não está tão por dentro: Eri apareceu no arco do Festival Cultural com uma backstory pesada pra caramba. Criança presa em experimentos, com um poder que ela mal conseguia controlar, usada como ferramenta por um vilão sem escrúpulos. Quando ela finalmente sorri pela primeira vez ao ver o Deku dançar num evento escolar, metade do fandom estava de olho molhado.
Esse momento virou símbolo. Eri representa algo raro em shonen moderno: uma criança traumatizada que o leitor vê se recuperando de verdade, aos poucos, com suporte genuíno dos personagens ao redor dela. A série principal nunca teve espaço para mostrar esse crescimento com a atenção que ele merece — havia demais acontecendo com Deku, Shigaraki e toda a guerra final.
Um spin-off sobre ela no colégio é a chance de preencher exatamente esse espaço.
O formato de curtas é inteligente para esse tipo de história. Não precisa ser épico. Não precisa de confrontos de Quirks elaborados. A proposta é mostrar Eri navegando pela adolescência — fazendo amigos, descobrindo o que gosta, existindo normalmente. Depois do que ela passou, o mundano é extraordinário.
O risco existe, claro. Spin-offs de personagens amados frequentemente erram por querer explicar demais ou por tentar replicar a energia da série principal sem ter o mesmo peso narrativo. Eri funciona como contraponto ao caos de MHA — se o spin-off tentar ser mais do mesmo, perde o ponto.
Mas o conceito em si é sólido. E o timing também: My Hero Academia encerrou seu arco principal no mangá, e parte considerável da base de fãs está num estado sentimental em relação ao universo. Uma história mais leve, centrada num personagem querido, chega no momento certo.
Não é todo spin-off que se justifica. Mas quando o material de origem tem personagens com histórias incompletas ou subdesenvolvidas pela estrutura da narrativa principal, expandir faz sentido de verdade. Eri tem uma jornada que o mangá nunca teve fôlego pra contar direito. ‘I Am a Hero Too’ tem a chance de contar.
Se a animação tiver o cuidado que o personagem merece, vai ser uma das adições mais bem-vindas ao universo de MHA em anos. A expectativa está alta — e nesse caso, com razão.