WoW Sobe Mensalidade em Até 43% no Brasil — e a Blizzard Chama de ‘Revisão Regular’

WoW Sobe Mensalidade em Até 43% no Brasil — e a Blizzard Chama de ‘Revisão Regular’

A partir de 22 de junho, manter Azeroth fica mais caro. As alternativas nunca foram tão boas.

A Blizzard não manda flores antes de revisar o preço. A partir do dia 22 de junho de 2026, as mensalidades de World of Warcraft no Brasil sobem de forma expressiva — o plano mensal passa de R$39,90 para R$54,90, reajuste de R$15 que, dependendo do plano escolhido, representa até 43% a mais no bolso do jogador.

A justificativa oficial? A empresa “revisa regularmente os preços dos jogos e serviços em todas as moedas”. Sete palavras. Sem contexto, sem dado, sem raciocínio. Uma frase que poderia ser nota de rodapé de qualquer aumento de qualquer empresa de qualquer produto desde 2020.

O que torna a situação mais difícil de engolir é o histórico. O último reajuste foi em 2021 — alta de aproximadamente 35% na época. Em menos de cinco anos, o jogador brasileiro que mantém conta ativa vai ver seu custo mensal praticamente dobrar. E o dólar, vale lembrar, caiu no período mais recente.

A Blizzard não tem servidores físicos no Brasil. O suporte em português foi reduzido drasticamente ao longo dos anos. Expansões continuam sendo pagas a cada dois anos — e a loja de cosméticos, com sistema de tokens conversíveis em gold, funciona como camada adicional de monetização. Muito para quem já espreme o orçamento para encaixar o WoW no mês.

O mercado mudou. A Blizzard, nem tanto.

WoW é um clássico genuíno — esse ponto não está em discussão. Mas 2026 não é 2005. O mercado de MMORPGs evoluiu, diversificou e, em vários casos, ficou consideravelmente mais barato — ou simplesmente gratuito. Para quem quer continuar jogando sem pagar pelo prestígio de um nome, as opções nunca foram tão boas.

Final Fantasy XIV

O rival mais direto do WoW e, para muitos, o superior narrativo da categoria. A trial gratuita acaba de ser expandida com a inclusão de Shadowbringers — considerada por boa parte da comunidade a melhor expansão do jogo. A mensalidade completa custa R$28,99 — valor que a Square Enix nunca reajustou no Brasil. Com nova expansão prevista para início de 2027, este é o momento certo para entrar.

Guild Wars 2

O argumento mais direto contra mensalidades obrigatórias: Guild Wars 2 não tem nenhuma. O jogo base é gratuito, expansões são compradas no ritmo do jogador e a progressão é horizontal — você não fica obsoleto por ter ficado meses fora. O PvP é acessível desde o primeiro personagem, sem grind obrigatório. A sexta expansão, Visions of Eternity, chegou em outubro de 2025. Comunidade historicamente receptiva com iniciantes.

Elder Scrolls Online

Desde o Update 49, todo novo conteúdo — mapas, regiões, dungeons, classes, sistemas — é gratuito para quem tem o jogo base. Sem expansão anual obrigatória. Com quantidade enorme de quests dubladas, mundo aberto extenso e tradução completa para português mantida pela comunidade brasileira. Custo-benefício difícil de bater em 2026.

Albion Online

Sandbox de verdade. Sem classe fixa — o personagem é definido pelo equipamento que usa. PvP com perda real de itens em zonas de risco. Economia controlada inteiramente pelos jogadores. Gratuito, disponível em PC, Mac, Linux, iOS e Android. Em abril de 2026, registrou mais de 73.000 jogadores ativos mensais com tendência de alta.

Black Desert Online

Se o critério for visual, BDO não tem rival entre os MMORPGs disponíveis hoje. Combate fluido como um jogo de ação standalone, mais de 20 classes com estilos radicalmente diferentes e profissões com profundidade real — culinária, pesca, alquimia, construção naval. Comprado uma vez, frequentemente por valores próximos a R$5 em promoção. Tem cash shop, mas é possível curtir o conteúdo sem ela.

Throne and Liberty

Gratuito, com crossplay entre PC, PS5 e Xbox Series. O foco são as batalhas em larga escala — sieges de castelo e eventos de guilda com centenas de jogadores simultâneos na mesma tela. O sistema de transformação em animais para exploração do mundo é um diferencial genuíno. Estreou com mais de 300.000 jogadores simultâneos na Steam em outubro de 2024.

Lost Ark

Gratuito, isométrico, com combate de ação fluido. O sistema Tripod de personalização de habilidades vai além do cosmético — altera dano, alcance e efeitos adicionais. Conteúdo extenso com continentes variados e progressão de personagem profunda. A monetização é agressiva para quem compete no topo; para quem joga por prazer, é viável sem gastar.

Star Wars: The Old Republic

Um MMORPG que funciona melhor como RPG solo. Histórias de classe completamente dubladas, com escolhas que moldam o alinhamento entre Luz e Sombra. Gratuito — e quem assina e depois cancela fica com uma conta “Preferred”, mantendo acesso parcial ao conteúdo. Para fãs de Star Wars que gostam de narrativa, entrega uma experiência que nenhum outro MMO replica.

Old School RuneScape

Lançado na era dos dinossauros, continua com base de jogadores impressionantemente ativa. Considerado por muitos o melhor MMORPG sandbox em liberdade de progressão e profundidade de quests. Tem versão gratuita e assinatura por acesso completo a $14,99 mensais — converte para aproximadamente R$74, ainda mais barato que o novo WoW. Quem tem preconceito com os gráficos deveria ao menos testar.

Neverwinter Online

O que mais se aproxima da estrutura de progressão do WoW: dungeons, builds, end game consistente. Baseado no universo de Dungeons & Dragons. Gratuito. Combate mais dinâmico que o padrão convencional dos MMOs. Curva de aprendizado suave — boa porta de entrada para quem sai do WoW sem querer se sentir perdido em um sistema completamente novo.

Bônus: Aion 2

Lançamento global previsto para 2026 pela NCSoft, com servidores dedicados para a América do Sul — ou seja, ping decente de verdade. O mundo é 36 vezes maior que o original, com mais de 200 dungeons disponíveis no lançamento, PvP em múltiplos formatos e tradução para o português do Brasil. O lançamento coreano gerou ceticismo justificado. Mesmo assim, o potencial está lá. Vale colocar na lista de desejos da Steam agora.

A aposta da Blizzard

A lógica provavelmente não é muito diferente da usada em 2021: uma parcela dos jogadores reclama, alguns cancelam, a maioria continua pagando. O histórico confirma — o aumento de 35% de 2021 gerou barulho por algumas semanas e desapareceu do radar. O WoW continuou.

O problema real não é o preço. É a proposta de valor. Em 2026, R$54,90 compra acesso ao Final Fantasy XIV e ao Guild Wars 2 com dinheiro sobrando para um serviço de streaming. O WoW ainda entrega uma experiência que nenhum outro MMORPG replica completamente — profundidade sistêmica, comunidade consolidada, duas décadas de memória afetiva. Mas cobrar por legado sem entregar inovação proporcional é uma aposta que, cedo ou tarde, apresenta a conta.

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