Rick and Morty T9: 81 Episódios Depois, o Adult Swim Ainda Precisa Provar que o Tanque Está Cheio

Rick and Morty T9: 81 Episódios Depois, o Adult Swim Ainda Precisa Provar que o Tanque Está Cheio

Títulos dos episódios revelados, estreia 24 de maio — e a questão que o Adult Swim não quer responder

Wubba Lubba Dub-Dub. A frase mais irritante da TV pós-2013 está de volta.

O Adult Swim revelou ontem (15) os títulos dos dez episódios da nona temporada de Rick and Morty, com trechos animáticos de cada capítulo — e, de repente, o mundo lembrou que a série existe, que estreia em 24 de maio no Adult Swim, e que a pergunta de US$ 100 milhões voltou à tona: essa coisa ainda tem algo a dizer?

Me responda uma coisa: quando foi a última vez que você assistiu Rick and Morty e saiu com a sensação de ter visto algo que só aquela série poderia fazer? Temporada 1? 2? Até o icônico episódio “Pickle Rick” na 3? Pois é. Porque depois do tsunami de controvérsia com Justin Roiland — descartado pelo Adult Swim em janeiro de 2023 após acusações de violência doméstica e tentativa de aliciar menores — a série entrou num estado estranho de existência.

Não está morta. Não está viva. Está em loop num portal interdimensional sem coordenadas.

O que o Adult Swim prometeu (e o que isso significa)

A logline oficial da Temporada 9 é deliciosamente autoconsciente. Segundo o próprio Adult Swim:

“Rick and Morty está de volta, baby! A Nona Temporada é toda bangers certificados. Sem slop de IA! Só slop orgânico Grau A, feito por humanos reais com traços humanos reais como pelos nas costas e cistos. Por favor, assistam, ou teremos negligenciado nossas famílias por nada.”

Olha só. Uma série de animação adulta usando como argumento de venda o fato de não ter sido feita por IA. Isso diz mais sobre o estado da indústria do entretenimento em 2026 do que qualquer análise que eu poderia escrever. Quando “foi feito por humanos” se tornou um diferencial de mercado, chegamos a um lugar interessante.

O showrunner Scott Marder não perde a oportunidade de prometer o que todo showrunner promete depois de uma temporada morna: “A Temporada 9 vai convencer a todos de que ainda temos o tanque cheio.” O presidente do Adult Swim, Michael Ouweleen, entra no coro com a inevitável declaração corporativa de que a série “continua superando a si mesma” — declaração que, por definição, ele é obrigado a fazer. Simples assim.

Os títulos e o que eles sugerem

Os títulos dos episódios revelados ontem fazem referências culturais que vão de Kevin Costner (o episódio final se chama “Field of Dreams”) a Nickelodeon dos anos 90 (“Salute Your Morts”, alusão ao clássico “Salute Your Shorts”). Tem “Jer Bud” — paródia de “Air Bud” — sugerindo um episódio centrado em Jerry. E um episódio de “falsa realidade” que Marder prometeu ser diferente de tudo que a série já fez.

Aqui a coisa fica realmente interessante. Porque o DNA original de Rick and Morty — criada por Dan Harmon e Justin Roiland em 2013 — era exatamente isso: desconstrução sistemática de tudo, incluindo de si mesma. A série que zoava heróis, vilões, família, moralidade, narrativa e o próprio público com igual entusiasmo niilista. Asimov teria achado graça. A premissa de um gênio sóciopata arrastando um neto ansioso por aventuras científicas tem parentesco direto com o melhor da ficção científica especulativa.

Essa versão de Rick and Morty era uma obra genuína.

Depois do escândalo Roiland, o Adult Swim substituiu as vozes dos protagonistas — Ian Cardoni assumiu Rick, Harry Belden ficou com Morty — e o show continuou. Mas o espectador mais atento percebeu algo: a série perdeu a faca. Não ficou militante, não virou sermão. Ficou… segura. E segurança é o maior veneno para uma série que se propõe anárquica.

81 episódios e contando — mas contando o quê, exatamente?

Aqui está o dilema existencial que nenhum comunicado de imprensa vai resolver: Rick and Morty chega à Temporada 9 com 81 episódios no currículo, renovada até a 12ª temporada, com um spinoff de “Presidente Curtis” em desenvolvimento. É uma franquia. Uma indústria. Uma máquina de streaming funcionando perfeitamente.

E o problema de máquinas funcionando perfeitamente é que elas perdem a capacidade de falhar de formas interessantes.

Conecte os pontos: o que diferenciava Rick and Morty das outras animações adultas não era a qualidade técnica, nem os orçamentos, nem a distribuição global em 170 países e 42 idiomas que a Temporada 9 vai alcançar. Era o risco. Era a disposição de ir a lugares narrativamente desconfortáveis sem pedir licença. Era o episódio que terminava com Rick tendo uma crise de identidade existencial enquanto a trilha sonora tocava algo absurdamente inapropriado.

Essa disposição ao desconforto — esse é o “tanque cheio” que Marder precisa provar.

O veredito antes do episódio 1

Os animáticos revelados são o que são: fragmentos sem contexto. Beth lutando contra móveis assassinos. Rick arrastando Morty pelo chão. Jerry sendo Jerry — que é sempre, e talvez seja o único elemento verdadeiramente consistente dessa série. O trailer oficial, lançado em 7 de abril, soa ao “Rebel Yell” do Billy Idol e promete caos familiar com pitadas de ficção científica.

Parece exatamente como Rick and Morty deveria parecer.

O que não dá pra saber de fora é se vai parecer assim por dentro. E essa é a única pergunta que importa. Marder e Harmon sabem fazer animação inteligente — isso nunca foi a questão. A questão é se o Adult Swim vai deixá-los correr riscos reais em 2026, num cenário de streaming onde cada série tem uma planilha de retenção de assinantes para justificar.

24 de maio. Dez episódios. Um tanque que prometem estar cheio.

Wubba Lubba Dub-Dub. Esperemos que seja verdade.

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