Imagine um mundo onde um filme de Hollywood não tem mensagem sobre patriarcado, identidade de gênero ou empoderamento de alguma coisa. Onde o objetivo é, literalmente, socar e chutar criaturas monstruosas até que os ossos apareçam. Onde o único manifesto é uma frase de dois caracteres e o som de uma espinha sendo quebrada.
FINISH HIM.
Esse filme chama Mortal Kombat II. Estreia dia 8 de maio de 2026. E as cenas inéditas apresentadas no CinemaCon 2026, ontem em Las Vegas, provam que Hollywood ainda é capaz de fazer entretenimento sem um único TED Talk embutido no terceiro ato.
No evento anual da indústria exibidora, a Warner Bros. apresentou uma sequência exclusiva do filme para distribuidores e exibidores ao redor do mundo. A cena: Karl Urban como Johnny Cage — o astro de ação falido dos anos 90 — é jogado no meio de um confronto entre Liu Kang e Baraka. Cage tenta, desesperadamente, convencer a todos (e a si mesmo) de que não é um lutador de verdade.
“Eu sou só um ator”, ele insiste. “Johnny Cage é um personagem que eu faço. Eu tenho dublês pra isso.”
Seus aliados têm a resposta perfeita: “Você é um ator. Então atue.”
Cage pega os óculos escuros. Respira fundo. E diz para si mesmo, enquanto Baraka avança com lâminas nos braços: “Tudo bem, seu feio do c*ralho. É showtime.”
O que segue — Urban desviando de picos, esquivando pelo teto, finalizando com um splits e um soco na virilha de Baraka direto do moveset do jogo original — recebeu ovação em Las Vegas. Segundo todas as fontes presentes, Urban captura o papel com carisma, timing cômico e aquela presença física inegável que fez de Billy Butcher um ícone.
A diferença? Aqui ele não precisa carregar uma série narrativamente morta nas costas. Aqui o material está à altura do ator.
O Mortal Kombat de 2021 rendeu US$ 84 milhões nas bilheterias — um resultado decente para um filme lançado simultaneamente no HBO Max durante a pandemia, mas longe de um blockbuster. A principal reclamação dos fãs era unanimidade raramente vista: onde estava Johnny Cage?
A resposta da produção foi inventar Cole Young — um protagonista genérico, sem personalidade marcante, e que até hoje não foi incorporado nos jogos da franquia. Digno de nota. O personagem criado para ser a “âncora do público” no filme acabou sendo a âncora no pescoço do filme.
A Warner ouviu. E contratou Karl Urban.
O elenco completo de Mortal Kombat II já era promissor no papel: Hiroyuki Sanada como Scorpion, Joe Taslim agora como Noob Saibot, Adeline Rudolph como Kitana, Tati Gabrielle como Jade, Tadanobu Asano (de Shogun) como Raiden, e Martyn Ford como Shao Kahn. O trailer final, lançado em 9 de abril, mostrou ainda que Lewis Tan como Cole Young aparece por exatos menos de um segundo — o que provavelmente foi uma decisão editorial muito sábia.
Um terceiro filme já está em desenvolvimento. A confiança interna na sequência é alta.
A sinopse oficial não tem subtexto escondido: “Os campeões favoritos dos fãs — agora unidos pelo próprio Johnny Cage — são colocados uns contra os outros na batalha definitiva, sangrenta e sem regras, para derrotar o domínio sombrio de Shao Kahn que ameaça a existência do próprio Earthrealm.”
Shao Kahn é o vilão porque é o vilão do jogo. Não porque representa uma metáfora política. Não porque é um stand-in para algum líder que Burbank detesta. É Shao Kahn porque Shao Kahn é o imperador de Outworld e quer destruir Earthrealm.
Isso, em 2026, já é refrescante o suficiente para uma matéria.
O ceticismo calibrado é necessário: o roteirista Jeremy Slater é o mesmo de Moon Knight — projeto que começou com potencial real e desmoronou na segunda metade. Simon McQuoid volta a dirigir e o primeiro filme tinha problemas sérios de ritmo. Nada está garantido.
Mas as primeiras reações do CinemaCon apontam para CGI melhorado, cenas de luta mais fluidas e fiéis ao material-fonte, e um senso de humor que funciona em vez de se explicar. Essa última parte é mais rara do que parece.
Mortal Kombat II chega aos cinemas no dia 8 de maio de 2026. Vinte e três dias.
Hollywood ainda sabe fazer isso quando para de confundir bilheteria com catequese. É a hora de provar.
A conta chega no dia 8 de maio. Finalize sua agenda.