A Nintendo não anunciou nada. Não teve Nintendo Direct. Não teve press release. Não houve evento.
O que houve foi um vazamento tão grande, tão detalhado e tão bem corroborado que a própria Nintendo ficou, segundo fontes, furiosa. E quando uma empresa japonesa centenária, conhecida pelo silêncio corporativo e pelo controle obsessivo de informação, fica furiosa com um leak — você sabe que o negócio é real.
O que vazou: The Legend of Zelda: Ocarina of Time está recebendo um remake completo para o Nintendo Switch 2. Lançamento previsto para o Natal de 2026. Orçamento descrito como “bastante grande.” Não é port do 3DS em HD. Não é remaster. É reconstrução do zero.
O responsável pelo terremoto chama-se NateTheHate — um dos leakers de Nintendo com melhor histórico do planeta. Ele acertou a data de revelação do Switch 2, detalhes da linha de lançamento e dezenas de outros anúncios antes do tempo. Desta vez, em seu podcast, foi categórico: “In the second half of 2026, approaching the holidays if not the holidays, we are going to receive an Ocarina of Time remake for Switch 2.”
O site Video Games Chronicle corroborou as informações com fontes independentes. O leaker Shpeshal Nick, co-fundador do XboxEra, entrou na conversa com mais detalhes: o jogo tem “um orçamento bem grande” — o que ele interpretou como confirmação de que não estamos falando de um up-res do 3DS, mas de algo próximo ao escopo dos remakes da Capcom para Resident Evil.
Um console Switch 2 edição limitada temático de Zelda também teria sido vazado. E para coroar a bagunça, o ex-funcionário da Nintendo Kit Ellis declarou que a empresa estaria “furiosa” com a extensão dos vazamentos, que cobriram praticamente o calendário inteiro da Nintendo para o restante de 2026.
Conecte os pontos: quando múltiplas fontes independentes dizem a mesma coisa, quando um ex-funcionário confirma a reação interna da empresa e quando a Nintendo resolve não se pronunciar? A coisa é real.
Ocarina of Time não é apenas um jogo. É o jogo com a maior nota de todos os tempos no Metacritic — 99 pontos, uma marca que nenhum outro título conseguiu alcançar em quase três décadas. Para uma geração inteira de jogadores, OoT foi o primeiro encontro com mundos tridimensionais, com puzzles que exigiam raciocínio genuíno, com narrativa épica embutida em pixels de N64.
É a nossa Odisseia. O nosso Senhor dos Anéis. O nosso Kubrick dos games.
E a Nintendo vai remakear esse troço. Do zero.
Aqui a coisa fica realmente interessante: o Zelda de 1986 completa 40 anos em 2026. A Nintendo deixou a data passar em fevereiro sem a menor cerimônia — o que pareceu bizarro na época. Agora faz sentido. Quando você vai anunciar o remake do jogo mais amado da franquia para o Natal, não joga suas cartas no aniversário da série. Guarda a bomba.
E tem mais: em maio de 2027, chega aos cinemas o filme live-action de Zelda. Um remake de peso no Natal de 2026 seria o trampolim perfeito — relançar a franquia nos games antes do filme chegar. Não é coincidência. É estratégia de marketing que até a Disney reconheceria com inveja.
Mas vamos ser honestos sobre o tamanho da aposta aqui.
Refazer Ocarina of Time não é como refazer Resident Evil 2. O RE2 Remake foi um trabalho de gênio: pegaram uma estrutura de câmera fixa do PS1 e traduzem para over-the-shoulder, expandindo sem trair. Já OoT é a experiência 3D definitiva — com o Z-Targeting que inventou o lock-on moderno, a exploração de Hyrule construída em camadas, as dungeons com design que ainda hoje é estudado em cursos de game design.
Como você “moderniza” um jogo que foi literalmente o manual de instrução para toda a indústria 3D por duas décadas? Se faz 1:1 igual ao original: para que refazer? Se usa o motor de Breath of the Wild e abre o mundo: você está fazendo BotW com skin de OoT. Se muda a estrutura das dungeons: os fãs te lincham nas redes sociais com uma eficiência que faria inveja ao KGB.
Me responda uma coisa: quando foi a última vez que a Nintendo assumiu um risco criativo desse tamanho? Quando foi a última vez que a empresa de Kyoto jogou tudo num projeto que, se errar a dose, vira piada eterna da internet pelo próximo século?
Exatamente.
Segundo os leakers, o jogo deve ser anunciado oficialmente em um Nintendo Direct de junho de 2026 e lançado no segundo semestre, provavelmente junto à temporada de festas. O console edição limitada temático de Zelda estará no plano — e, pela lógica histórica da Nintendo, vai esgotar no dia do anúncio e aparecer por três vezes o preço no Mercado Livre em 48 horas. Clássico.
O que a gente torce? Que a Nintendo tenha aprendido com a Capcom. Que eles entenderam que o público não quer um joguinho para crianças vestido com skin nostálgica. Quer a experiência que OoT sempre prometeu: um conto épico sobre crescer, perder a inocência, carregar o fardo do herói. Emotionalmente devastador na cena final com Link e Zelda.
Pois é: o Natal de 2026 vai mostrar se a Nintendo ainda tem coragem criativa de verdade — ou só coragem de cobrar 80 dólares por jogo digital.
A conta chega em dezembro.
Fontes: NateTheHate (podcast), Shpeshal Nick (X/Twitter), Video Games Chronicle, IGN, Polygon, 9to5Toys, Kit & Krysta Podcast