As fotos de set de Daredevil: Born Again 3 mostram um Kingpin irreconhecível — e isso pode ser exatamente o que a série precisava

Imagens vazadas da terceira temporada indicam uma virada drástica para Wilson Fisk. A pergunta é: para melhor ou para pior?

Tem um paradoxo no coração de Daredevil: Born Again desde o primeiro episódio: a série trouxe de volta Vincent D’Onofrio como Wilson Fisk — o Rei do Crime mais convincente que a televisão americana já produziu —, mas pareceu não saber muito bem o que fazer com ele. Fisk como prefeito de Nova York era uma ideia ousada. A execução, nem tanto.

Agora, fotos do set da terceira temporada mostram um Kingpin visivelmente diferente. Sem dar spoilers do que exatamente mudou — parte da graça é descobrir —, o que se vê nas imagens é uma versão de Fisk que parece ter passado por algo capaz de alterar não só as circunstâncias, mas a própria presença do personagem.

O que os bastidores estão dizendo

As fotos, obtidas pelo Screen Rant, circularam rapidamente entre os fãs do Demolidor. O tom das reações é de surpresa genuína — e, em muitos casos, de curiosidade renovada. Quem havia esfriado em relação à série depois de uma primeira temporada irregular está, de repente, prestando atenção de novo.

Isso não é pouco. Born Again estreou com o peso monumental da sombra da série da Netflix. Aquele Daredevil era brutal, denso, cinematograficamente ambicioso para os padrões do streaming da época. O reboot para o Disney+ precisou equilibrar continuidade com acessibilidade — e no processo, por vezes, perdeu o fio da navalha que tornava o original tão bom.

O problema da primeira temporada e a esperança da terceira

A temporada inaugural de Born Again teve qualidades reais: D’Onofrio nunca esteve ruim, Charlie Cox manteve a intensidade de Matt Murdock, e alguns episódios acertaram em cheio. Mas o conjunto foi irregular demais para a expectativa que havia sido construída.

O Kingpin como político eleito era um passo interessante — vilão que não precisa mais das sombras porque agora ele é a instituição. O problema é que esse Fisk ficou contido demais. Calculado ao ponto da esterilidade. Perdeu a grandiosidade física e emocional que faz dele um personagem verdadeiramente ameaçador.

Se as fotos da terceira temporada sugerem que algo sacudiu essa equação — que Fisk foi, de alguma forma, deslocado, humilhado ou forçado a se reinventar —, isso é narrativamente promissor. Personagens grandes demais para a tela precisam de crises à altura. É o que transforma vilão em tragédia.

A questão da continuidade de um universo fragmentado

Há também o contexto do MCU ao redor. Fisk foi confirmado como personagem central de Agatha All Along, apareceu em Hawkeye, e sua presença está sendo construída como pilar do universo Netflix integrado ao Marvel Studios. Isso significa que o que acontece com ele em Born Again 3 terá consequências além da série.

É um risco calculado — e, por enquanto, bem-vindo. A Marvel aprendeu, da forma mais dolorosa possível, que quantidade sem qualidade afasta o público. A segunda fase do streaming da empresa foi marcada por séries esquecíveis que diluíram o universo em vez de expandi-lo. Um Kingpin que chega à terceira temporada genuinamente transformado pode ser exatamente o tipo de aposta narrativa que a franquia precisa.

O que esperar

Ainda é cedo. Fotos de set são fragmentos sem contexto — e a Marvel �� especialista em usar isso a seu favor, deixando o público montar quebra-cabeças com peças que foram deliberadamente misturadas. Pode ser que o que parece uma reviravolta seja apenas um episódio específico, uma cena fora do arco principal.

Mas a leitura mais otimista — e, por enquanto, a mais justificada pelas imagens — é que a produção entendeu o que funcionou e o que não funcionou nas temporadas anteriores. E que desta vez estão dispostos a levar Wilson Fisk para um lugar mais escuro, mais imprevisível.

Se o novo Kingpin for o Kingpin que o Demolidor merece enfrentar, valeu a espera.

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