Yu-Gi-Oh! é um dos animes que marcaram a infância de muita gente. Contudo, com o passar do tempo, as continuações do anime clássico foram surgindo, os protagonistas mudaram e as regras, oficialmente, foram sendo alteradas. Para entender melhor o que está acontecendo, é necessário analisar um pouco como foi a cronologia de Yu-Gi-Oh! só longo do tempo.
No começo, embora pudesse parecer confuso para pessoas que não sabiam nada sobre o jogo, havia um consenso de que era relativamente simples e fácil de aprender. Com o fim do anime clássico e a chegada de Yu-Gi-Oh! GX, não houve mudanças significativas, as regras eram basicamente as mesmas, embora houvesse um uso maior da fusão em novas cartas.

Aliás, de certa forma, Yu-Gi-Oh! GX acabou fazendo uma contribuição indireta para popularizar o entendimento do card game. Basicamente, isso aconteceu através dos jogos Tag Force, que literalmente ensinavam a jogar de forma simples, didática e de fácil entendimento. É importante lembrar que essa trilogia aborda alguns dos eventos e personagens de Yu-Gi-Oh! GX. Portanto, o anime também pode levar um pouco do crédito.
Além disso, eram jogos relativamente divertidos que permitiam que os jogadores criassem seus próprios personagens e montassem seus próprios decks. Fora que eles conseguiam misturar os acontecimentos do anime com a própria história original de cada jogo da trilogia de uma forma agradável. Também vale mencionar que a mecânica dos duelos é simples, fluida e bastante usada até hoje.
Embora Yu-Gi-Oh! clássico e o GX tenham sido muito bons e nostálgicos, didaticamente, poderiam ser confusos em relação às regras. Até hoje, muitos fãs brincam com a ideia de que Yugi “roubava” nos duelos. Por isso, o ponto central é que os jogos Tag Force ajudaram a democratizar o entendimento das regras.

Um detalhe bastante curioso sobre as regras clássicas é que elas eram propositalmente “lentas” e havia uma certa beleza nisso, pelo menos para os fãs mais antigos. Avançando na linha do tempo, com a estreia de Yu-Gi-Oh! 5D’s em 2008, o ritmo dos duelos começou a “acelerar”. Afinal, o anime marcou a introdução de “invocações Syncro”, que é basicamente composta por monstros tuners e non-tuners, sem nenhuma carta especial, como acontecia com a Polimerização nas fusões.
Conforme já mencionamos, na prática, isso torna os duelos mais acelerados, dificultando o entendimento e a criação de estratégias, que eram a graça de Yu-Gi-Oh! clássico e GX. E é óbvio que as gerações mais antigas começaram a se sentir abandonadas com essas mudanças. Para piorar, as regras oficiais de campeonatos e competições importantes foram mudando junto com os novos rumos de Yu-Gi-Oh!.
A partir daí, tudo começou a desandar para os fãs mais nostálgicos. Com a chegada de Zexal (duelos XYZ), Arc-V (invocações Pêndulo), Vrains (invocações Link) e outros mais atuais e nitidamente voltados para novas gerações, uma parte considerável da essência original pode ter ficado para trás. E é por isso que os fãs antigos se organizaram para resgatar as regras clássicas de Yu-Gi-Oh!.

Diante dos novos rumos que a franquia vem tendo, os fãs não ficaram de braços cruzados e se mobilizaram para resgatar o uso das regras clássicas. Embora isso não represente uma retomada oficial, a mobilização vem chamando bastante atenção na internet.
E um movimento que vem ganhando muito destaque no Brasil é o Yu-Gi-Oh! RPG Online, que, segundo a própria descrição da página no Instagram, tem o propósito de reviver a “essência do Yu-Gi-Oh raiz”. Cronologicamente, tudo é propositalmente pensado até a era GX. Como mencionamos, Yu-Gi-Oh! GX é uma grata extensão das regras clássicas, e os fãs entendem isso. Você pode conferir mais detalhes diretamente no perfil da página, que, até o momento, conta com mais de 11 mil seguidores no Instagram.
Contudo, apesar dessa movimentação um pouco mais organizada no Brasil, é importante ressaltar que existe uma mobilização global do uso do formato GOAT (regras clássicas) em contextos mais informais. Obviamente, estes estão bem longe de serem menos importantes.
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