Com 155 milhões vendidos, o Switch está encostando no PS2 — e o console da Sony deveria se preocupar

Nintendo divulga resultados financeiros e o Switch segue quebrando expectativas mesmo com o Switch 2 batendo na porta

O Switch deveria estar em modo aposentadoria. Lançado em 2017, com um sucessor oficial já anunciado e em fase de pré-venda, o console da Nintendo bateu 155,92 milhões de unidades vendidas até 31 de março de 2026. O número transforma o Switch no console mais vendido da história da Nintendo — e coloca o PS2, detentor do recorde absoluto entre todos os fabricantes, sob pressão real pela primeira vez em décadas.

O PlayStation 2 vendeu algo em torno de 155 a 160 milhões de unidades ao longo de toda a sua vida útil, um número construído durante os anos dourados do DVD e de uma geração inteira de jogadores sem muita concorrência portátil. Era um recorde que parecia intocável. O Switch está tocando nele agora, com o contador ainda aberto.

Um console que se recusou a envelhecer

A história do Switch é curiosa porque desafia o roteiro padrão da indústria. Consoles envelhecem, perdem mercado para o sucessor e saem de linha. O Switch ignorou esse manual.

Parte da explicação está no modelo híbrido — a proposta de jogar em casa e fora de casa no mesmo hardware ainda não foi replicada com a mesma eficiência por nenhum concorrente. Mas a durabilidade das vendas também tem outro componente: o catálogo. A Nintendo passou os últimos anos enchendo o Switch de lançamentos de peso, muitos deles já próximos ao fim do ciclo, quando o normal seria segurar fogo para o hardware novo.

Tears of the Kingdom saiu em 2023, seis anos após o lançamento do console. Princess Peach: Showtime! e Paper Mario: The Thousand-Year Door chegaram em 2024. A Nintendo tratou o Switch como plataforma viva, não como produto em fase terminal.

O que os 155 milhões significam de verdade

Para além do simbolismo do recorde, o número tem peso estratégico. Uma base instalada desse tamanho é capital acumulado: significa compatibilidade que importa, biblioteca que não se abandona de um dia para o outro, e consumidores que já provaram o modelo híbrido e provavelmente seguirão para o Switch 2 sem resistência.

A Nintendo não precisa convencer ninguém de que o conceito funciona. O mercado já comprou — 155 milhões de vezes.

O Switch 2 chega em junho de 2026 com retro-compatibilidade e uma base fã consolidada. É uma transição muito mais tranquila do que a do Wii U para o Switch, quando a Nintendo tinha algo a provar. Agora a empresa chega de cima.

E o PS2?

O PlayStation 2 vendeu o que vendeu em condições muito específicas: era o console mais barato a rodar DVDs, chegou num momento em que o mercado de games explodia globalmente e tinha a biblioteca mais robusta de sua geração por margem confortável. O recorde foi construído com vantagens que dificilmente se repetem.

O Switch chegou ao mesmo patamar sem nenhuma dessas condicionantes. Não é o hardware mais barato do mercado, não resolve nenhuma necessidade doméstica além do jogo em si, e enfrentou concorrência pesada de PlayStation, Xbox e PC durante toda a sua trajetória.

Se o Switch 2 manter compatibilidade com os jogos do Switch 1 — e vai manter — a Nintendo pode até continuar contando unidades do Switch original entre os ativos da plataforma por mais alguns trimestres. O recorde absoluto está ao alcance.

O PS2 dominou o mercado por uma era inteira. O Switch dominou apesar de tudo que deveria tê-lo freado. São vitórias de tipos diferentes — e a segunda talvez seja mais difícil de repetir.

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