Se tem algo que o histórico de adaptações de animes ao longo do tempo despertou foi desconfiança. No caso do futuro live-action de Naruto, não é tão diferente. É verdade que muitos estão empolgados, porém a sensação geral de desconfiança está sempre presente no público de alguma forma.
E o motivo é o fato de que o live-action de Naruto será uma produção ocidental da Lionsgate. Em outras palavras, existe uma forte influência de Hollywood na adaptação. Apesar disso, ainda há potencial para qualidade, desde que a essência de Naruto seja respeitada e que haja eficácia geral nas cenas de ação e nos efeitos especiais.
Embora o longo histórico de tentativas fracassadas tenha sido assustador, tivemos o recente sucesso relativo de One Piece. Apesar das polêmicas, a adaptação é considerada boa e com alta qualidade geral. Embora seja uma história completamente diferente, One Piece pode ter transmitido a ideia de que é possível fazer boas adaptações de animes.
Também é difícil não fazer menção ao anúncio do live-action de Solo Leveling na Netflix. Apesar disso, é um contexto completamente diferente. Ao contrário da adaptação de Naruto, Solo Leveling será uma adaptação com influência ocidental mínima, sendo meramente limitada a financiamento. Naruto, por outro lado, terá uma realidade completamente diferente.

Entrando oficialmente em pré-produção, o casting do filme já começou a ser pensado, e o foco do momento é tradicional Time 7 (Naruto, Sasuke e Sakura). Em comunicado oficial, o diretor Destin Daniel Cretton expressou respeito por Masashi Kishimoto e pela inspiração que Naruto exerceu sobre gerações de fãs ao redor do mundo.
Daniel Cretton também é diretor de Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis e de Homem-Aranha: Um Novo Dia. À primeira vista, as expectativas em relação às cenas de ação e efeitos especiais parecem positivas. Shang-Chi recebeu vários elogios nesse sentido, já que as coreografias de lutas realmente foram muito boas.
Além disso, embora ainda não tenha estreado, Homem-Aranha: Um Novo Dia tem dado bons sinais em relação ao marketing e à estratégia de divulgação. Se o mesmo conseguir ser aplicado a Naruto, talvez haja potencial para gerar mais ânimo nos fãs, que ainda estão relativamente céticos. Apesar disso, também não podemos negar que existe um grande desafio pela frente.

Talvez essa seja a principal pergunta dos fãs. Sabemos que, inevitavelmente, Masashi Kishimoto, autor do mangá de Naruto, deve exercer alguma influência na adaptação. Contudo, também é natural imaginar que haja algum tipo de limitação em relação a isso. Afinal, trata-se de uma produção da Lionsgate. Portanto, é válido questionar: até onde vai a influência do autor na adaptação?
De acordo com todas as informações oficiais que nós sabemos até o momento, o papel de Kishimoto deve ser consultivo. Até o momento, ainda não temos nenhuma confirmação oficial de que o autor teria algum tipo de “poder de veto” ou de decisão criativa no casting ou na produção. Por outro lado, Kishimoto continuaria sendo respeitado e consultado na produção.
A princípio, alguns podem enxergar limitações demais, o que pode causar uma impressão ruim. Muitos ainda desconfiam da influência de Hollywood na produção, e a influência do autor pode ser justamente o contraponto necessário para evitar mudanças drásticas na adaptação. No entanto, em um pronunciamento recente, o próprio Kishimoto demonstrou bastante otimismo e empolgação com o live-action. Confira o que o autor disse:
“Neste momento, milagres estão acontecendo comigo, um atrás do outro.
Meu trabalho, Naruto, está verdadeiramente se tornando um filme de Hollywood!
E um milagre ainda maior é que o filme será dirigido pelo único e inigualável Destin Daniel Cretton.
Ainda não consigo acreditar!
Se tantos milagres já se juntaram, então vamos torcer por ainda mais.
Estou ansiosamente aguardando os encontros milagrosos que trarão atores extraordinários e apaixonados!”
Está bastante evidente que Kishimoto está bem animado para o live-action. Apesar disso, ainda não há nenhuma garantia exata de sucesso ou de qualidade. Mas realmente, a ideia tem bastante potencial.
Um dos pontos mais polêmicos de toda essa questão talvez seja uma possível vontade de concorrer ao Oscar. Atualmente, a Academia faz uma série de exigências para que uma produção possa participar da concorrência. Na prática, em relação às adaptações de obras originais, isso pode resultar em troca de etnias de personagens clássicos ou até mesmo em mudanças criativas drásticas.
No caso da série de Harry Potter, por exemplo, houve uma forte promessa inicial de “fidelidade aos livros”. Contudo, algum tempo depois, a escalação de Paapa Essiedu como Severo Snape foi confirmada, o que representa uma nítida troca de etnia do personagem. Antes, os fãs já eram céticos com promessas. Depois desse acontecimento, tornou-se necessário fazer muito mais do que apenas falar.
Por outro lado, popularmente, a premiação já não carrega o mesmo prestígio que tinha há vários anos. Assim, pode não haver tanta ambição para participar da cerimônia, o que pode ser um ótimo sinal para os fãs de Naruto. Ironicamente, não concorrer ao Oscar pode acabar sendo uma coisa boa no fim das contas. A produção realmente tem muito potencial, mas somente o tempo poderá dizer se os esforços foram compensados.
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