Takashi Tezuka vai embora da Nintendo depois de 41 anos — e o nome deveria ser mais conhecido do que é

O diretor de Super Mario Bros. 3 e Zelda: A Link to the Past sai da empresa em junho. O catálogo que ele deixa é lido como a história do videogame moderno.

Existem pessoas cujo trabalho você conhece de cor sem saber o nome de quem o fez. Takashi Tezuka é o caso mais emblemático da Nintendo. Em 26 de junho, ele deixa a empresa depois de 41 anos. Sessenta e cinco anos, a maioria deles construindo jogos que moldaram o que entendemos por diversão eletrônica.

A Nintendo confirmou a saída no briefing de investidores desta semana. Tezuka entrou na empresa em 1984, ainda estudante universitário, trabalhando em meio período. O primeiro crédito foi Punch-Out. O que veio depois seria lido como o catálogo de um museu.

O parceiro que Miyamoto precisava

O nome de Shigeru Miyamoto é universal. Qualquer pessoa que já tocou num videogame conhece. Mas Miyamoto sempre precisou de alguém para transformar visão em produto — e durante as décadas mais decisivas da Nintendo, esse alguém foi Tezuka.

Super Mario Bros. 3 é frequentemente apontado como o melhor jogo de plataforma da história e um dos títulos mais vendidos do NES. Um manual de design que a indústria ainda consulta. Tezuka dirigiu. Super Mario World estreou o Super Nintendo e estabeleceu o padrão estético e de gameplay da geração 16-bit. Tezuka dirigiu. The Legend of Zelda: A Link to the Past elevou a fórmula 2D da série a um ponto que o gênero demorou anos para igualar. Também ele.

E quando a Nintendo precisou expandir o universo de Mario, Tezuka estava na conversa. É creditado como o criador conceitual do Yoshi, o dinossauro verde que apareceu em Super Mario World e nunca mais sumiu.

Com o passar dos anos, Tezuka migrou para o papel de produtor executivo. Seu nome passou a aparecer como supervisor de franquias inteiras. O tipo de função que não aparece nas manchetes, mas que mantém a coerência de uma série ao longo de décadas e múltiplos diretores.

O que a Nintendo perde, de fato

A resposta fácil é: nada que a empresa não consiga absorver. A Nintendo tem estrutura, capital e uma geração de designers formados exatamente pelos anos em que Tezuka estava no centro das decisões. Yoshiaki Koizumi toca o Mario 3D. Miyamoto segue como Creative Fellow. A máquina funciona.

Mas a resposta honesta é mais complicada. Conhecimento institucional desse tipo não se documenta. Não existe manual que capture o instinto de quem ajudou a definir o que é divertido antes de existir linguagem formal para isso. Cada saída de uma figura dessa geração carrega um pouco de DNA que os contratados dos próximos anos vão precisar reinventar, não recuperar.

Miyamoto tinha 24 anos quando Tezuka entrou na empresa. Os dois trabalharam juntos por quatro décadas. Esse tipo de continuidade criativa não se replica por decreto.

Um modelo que não existe mais

41 anos numa única empresa, trabalhando em sequências dos mesmos personagens, e ainda assim entregando jogos que redefiniam o gênero a cada nova geração. Esse modelo acabou. Não por culpa da Nintendo, mas porque a indústria inteira mudou ao redor dela.

Tezuka parte como os melhores costumam partir: sem alarde, com o trabalho falando. Que o próximo Mario seja à altura do legado que ele ajudou a construir é o mínimo que se pode pedir.

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