Cole Young foi criado para ser o herói que conectaria o público comum ao universo Mortal Kombat. O universo Mortal Kombat preferiu se livrar dele.
A informação veio do Kotaku: Mortal Kombat 2 mata Cole Young durante a trama. O personagem interpretado por Lewis Tan, protagonista da adaptação de 2021, sai de cena na sequência. Scorpion assume o centro da narrativa.
Cole Young nasceu com um problema de origem. No primeiro filme, disputava atenção com Scorpion, Sub-Zero, Liu Kang, Sonya Blade e Kano, personagens que os fãs conhecem há décadas. A aposta do estúdio fazia sentido no papel: um tabula rasa, sem bagagem de lore, para servir de guia ao espectador casual.
O resultado foi um protagonista que existia mais como função narrativa do que como pessoa. Cole tinha a tatuagem do dragão, tinha a filha em perigo, tinha o mentor misterioso. O que ele não tinha era peso próprio. Quando o crédito final apareceu, a maioria das conversas sobre o filme girava em torno de Scorpion e Sub-Zero, que protagonizaram a abertura mais elogiada, ou de Kano, que roubou cenas em toda aparição. Cole Young ficou como o fio condutor que ninguém pediu.
A morte de Cole Young em MK2 produziu uma resposta curiosa nos fãs. Parte ficou surpresa com a ousadia: matar o protagonista da obra anterior não é trivial. Parte sentiu alívio, com o caminho aberto para personagens mais enraizados no universo. E uma fração ficou incomodada não com a morte em si, mas com o que ela implica: o estúdio gastou um filme inteiro construindo um personagem que ele mesmo decidiu descartar.
Há algo de desconcertante nessa lógica. Se Cole Young não funcionou bem o suficiente para segurar uma franquia, a conclusão mais honesta seria reescrever o personagem, não eliminar o ator. Lewis Tan fez o que o roteiro pediu. O problema estava acima dele.
Com Cole fora de cena e Scorpion assumindo protagonismo, o estúdio parece estar apostando no que devia ter apostado desde o começo: o universo Mortal Kombat já tem heróis. Ele não precisa de um substituto genérico com poderes especiais de origem misteriosa.
A questão é se essa mudança veio em tempo hábil. O primeiro Mortal Kombat teve desempenho razoável em 2021, mas nunca estabeleceu a franquia com a solidez que a Warner Brothers esperava. Uma morte de protagonista no segundo ato pode ser lida como reajuste narrativo ou como confissão de erro. O público que acompanhou Cole no primeiro filme vai perceber a diferença.
Adaptações de games cometem esse erro com regularidade. Há uma desconfiança implícita de que o público não vai se importar com os personagens já existentes, que é preciso criar um rosto novo, mais palatável, mais universal. O resultado costuma ser o mesmo: o público quer os personagens que já ama, e o personagem criado para substituí-los some nos créditos finais.
Cole Young foi Finish Him antes de completar o segundo round. A franquia pode sobreviver a isso. O que não sobrevive é a premissa de que fãs de Mortal Kombat precisavam de um novo herói para chegar até os antigos.