Kripke Defende The Boys 5, Mas o Público Tem Razão em Cobrar

O showrunner explica as escolhas de ritmo da temporada final, mas o argumento não fecha do todo

Todo showrunner chega a um ponto em que precisa vender ao público o que o público já questionou. Eric Kripke chegou ao seu com The Boys.

A quinta e última temporada da série da Prime Video está gerando divisão entre os fãs. Uma parte considera que certos episódios não empurram a história para frente com força suficiente — os chamados filler episodes, aquele tipo de capítulo que parece existir para cumprir tabela de episódios mais do que para avançar a narrativa. Kripke foi a público rebater. Segundo ele, o que o espectador enxerga como enchimento é, na verdade, parte intencional da despedida da série: uma decisão de ritmo, não de descuido.

O argumento tem pé

Temporadas finais têm um problema específico: precisam fechar arcos, homenagear personagens e ainda manter a tensão que trouxe o público até ali. Às vezes isso exige episódios mais contemplativos, menos explosivos. Não é, necessariamente, fraqueza criativa.

Há precedentes que sustentam Kripke. Breaking Bad tinha capítulos lentos que depois se revelaram essenciais para o impacto do que vinha a seguir. Better Call Saul construiu sua melhor temporada exatamente sobre esse tipo de pausa calculada. O argumento do showrunner, em tese, tem base.

A questão com The Boys é que a série nunca foi sutil. Ela tem a sutileza de um megafone. E quando o megafone para para respirar, o silêncio aparece maior do que seria em qualquer outra produção.

O problema que ninguém cita

Séries que constroem sua identidade em torno de uma mensagem política específica carregam uma fragilidade estrutural: quando a mensagem arrefece, o que sustenta o episódio?

Nos melhores momentos, The Boys usou seus super-heróis como metáfora para crítica cultural eficiente — Homelander como retrato do populismo de palco, Vought como sátira da filantropia corporativa de fachada. Nos momentos mais fracos, a série virou veículo de posicionamento com cenas de ação coladas por conveniência. Quando o roteiro desacelera, é exatamente essa fragilidade que aparece na superfície.

O espectador que reclama de filler provavelmente não está articulando isso com precisão técnica. Mas a percepção que está por trás da reclamação é legítima: alguns episódios parecem existir para dizer algo, não para contar algo. São capítulos com tese, sem história.

O que a defesa revela

Há um padrão reconhecível quando um showrunner sai para explicar episódios questionados pela audiência. A explicação quase sempre é verdadeira — e quase sempre não resolve o problema.

Se um capítulo precisa de nota de rodapé do criador para funcionar, ele não funcionou sozinho. Isso não invalida a série. The Boys continua sendo uma das produções mais bem realizadas do streaming americano recente, com atuações acima da média e uma visão de mundo coerente, mesmo quando discutível.

Mas a defesa de Kripke diz mais sobre onde a quinta temporada chegou do que sobre onde ela deveria estar.

A temporada final de uma série precisa valer por si mesma. O público que acompanhou cinco anos tem crédito suficiente para cobrar — e Kripke deveria agradecer que esse público ainda está lá, incomodado o suficiente para reclamar.

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