James Gunn mal terminou de convencer o público de que o DCU reiniciado era uma boa ideia e o segundo filme do novo universo já acende um sinal de alerta difícil de ignorar. Supergirl: Woman of Tomorrow estreia em 26 de junho e analistas que viram imagens exclusivas na CinemaCon não estão otimistas.
No podcast The Town, Matthew Belloni, fundador do Puck, e o analista Scott Mendelson distribuíram notas de confiança de 1 a 13 para treze filmes esperados do verão americano. Supergirl recebeu um 2 de Belloni. “Não estou confiante”, disse ele, sem rodeios.
Belloni deixou claro que sua avaliação não se baseia apenas nos trailers disponíveis ao público. Ele viu material adicional na CinemaCon, a principal feira do setor exibidor nos EUA. A impressão não foi boa.
“Estava aberto”, admitiu, lembrando que curtiu o Superman do ano passado, que arrecadou US$ 618 milhões mundialmente com abertura de US$ 125 milhões. “Mas o material que mostraram na CinemaCon não foi bom. Parece menor e uma espécie de ordenhagem de IP. Estou baixando para dois.”
Mendelson chegou à mesma conclusão por outro caminho. Sua nota foi 5, mais alta, mas a análise revelou o problema central: “Os valores de produção estavam lá. Só pareceu muito caótico e agitado, de uma forma que simplesmente não deixa os personagens respirarem.” O diagnóstico implícito é de um filme que não sabe o que quer ser.
“Lame. Nada de legal”, concluiu Belloni.
O orçamento oficial de Supergirl não foi divulgado, mas estimativas apontam entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. Mendelson garantiu que a produção não ficou tão mais barata que a de Superman, o que elimina a hipótese de filme B com pretensões modestas.
Com marketing e distribuição incluídos, a regra geral da indústria é que um estúdio precisa de pelo menos 2,5 vezes o orçamento de produção para empatar. Isso coloca o ponto de equilíbrio de Supergirl entre US$ 375 milhões e US$ 500 milhões mundialmente.
Belloni projeta US$ 300 a 350 milhões. “Metade do Superman. Não é bom.” Se a conta fechar nesse patamar, o prejuízo da Warner pode chegar a US$ 200 milhões.
Mendelson antecipou como a Warner deve posicionar o filme: heroína feminina no estilo John Wick, com o apelo de Krypto, o super-cão que aparece no trailer. O raciocínio é compreensível. A execução, historicamente, é outro problema.
Ballerina, o spin-off feminino de John Wick, recebeu Keanu Reeves adicionado em refilmagens extensas e mesmo assim entregou resultados abaixo do esperado. Se Supergirl seguir trajetória parecida, a questão deixa de ser “vai lucrar?” para “quanto vai perder?”.
Supergirl é o segundo capítulo do DCU de James Gunn. Superman funcionou bem o suficiente para manter a aposta viva. Uma derrota expressiva em junho recoloca na mesa todas as perguntas que Gunn pensava ter respondido: sobre a direção editorial do estúdio, sobre o apetite do público por mais heróis DC e sobre se uma Supergirl solo tem audiência para sustentar o porte de produção que o filme aparenta ter.
Para a Warner, torçer para que Belloni esteja errado é, por ora, a estratégia mais barata disponível.