A Activision ainda não mostrou o Call of Duty de 2026. Não há trailer, não há nome oficial, não há data de lançamento confirmada. E, mesmo assim, a franquia mais lucrativa dos shooters conseguiu a proeza de decepcionar antes de existir oficialmente.
Um relatório publicado pelo ComicBook trouxe detalhes sobre a próxima entrada da série. O diagnóstico precoce não é animador: com informações vindas de bastidores, o panorama sugere que a edição anual do CoD chega carregada dos mesmos problemas que ninguém resolveu.
O modelo de lançamento anual do Call of Duty sempre foi motivo de debate. Durante anos, funcionou. A máquina entregava, o público comprava, e a Activision colhia cifras que a maioria das empresas só vê em sonhos. Mas a fórmula está rachada.
Modern Warfare III, em 2023, foi recebido como um produto abaixo do esperado: campanha construída em cima de conteúdo já existente, multiplayer com mapas reciclados, preço cheio para uma entrega de meio período. O mercado não perdoou completamente, e a crítica foi ainda mais dura.
Black Ops 6, em 2024, tentou corrigir o curso. Trouxe os estúdios Treyarch de volta, apostou numa campanha com ambição narrativa e lançou no GamePass, estratégia que serviu mais aos números da Microsoft do que às vendas tradicionais. O resultado foi misto: um jogo decente que chegou num momento em que decente não basta.
Agora vem 2026, e o relatório já sinaliza que a história se repete.
Ciclos de desenvolvimento de doze meses não bastam para construir algo excepcional. Bastam para entregar algo funcional, pontual e lucrativo no curto prazo. A franquia virou infraestrutura: update anual obrigatório, independente de o update ser bom ou ruim.
Desde que a Microsoft comprou a Activision por quase 69 bilhões de dólares, havia expectativa de que algo mudaria nessa dinâmica. Que Phil Spencer interviria no ciclo industrial do CoD. Não interveio. Ou não conseguiu.
O resultado prático: mais um ano, mais um CoD empurrado pela linha de montagem antes de estar pronto para qualquer coisa que “pronto” signifique nesse contexto.
Segundo o ComicBook, o relatório aponta decepção expressiva com o que se sabe até agora sobre a próxima entrada. Os detalhes ainda são limitados: a Activision trabalha em sigilo, e a revelação oficial ainda não aconteceu. Mas as informações que vazaram foram suficientes para gerar reação negativa entre quem acompanha a franquia de perto.
Sem título confirmado ou detalhes de campanha, o quadro que emerge é de um jogo que não aprendeu o suficiente com os erros recentes. Mesma estrutura, mesmas decisões, mesmos problemas em embalagem nova.
O Call of Duty passou décadas sendo o benchmark do gênero. Havia algo genuíno nas campanhas dos Modern Warfare originais: tensão real, ritmo cinematográfico, momentos que ficaram na memória coletiva de uma geração. Isso foi se diluindo à medida que o foco migrou para o multiplayer competitivo, depois para o battle royale e, agora, para o serviço vivo.
Decepcionar antes de ser anunciado não é só um fracasso de PR. É o sinal de uma franquia que perdeu a capacidade de gerar antecipação genuína. Quando os fãs mais fiéis já esperam o pior antes de ver qualquer coisa, o problema vai além do produto.
A Activision vai revelar o CoD de 2026 nos próximos meses. O trailer vai ter explosões, gunplay responsivo e trilha sonora que empurra adrenalina. Parte do público vai comprar de qualquer forma. Mas a pergunta que importa agora é outra: quantos deles ainda acreditam que vai ser bom?