Tem escritor que trabalha em personagens alheios. Tem escritor que constrói personagens que sobrevivem a décadas, adaptações, reboots e universos cinematográficos. Gerry Conway foi do segundo tipo — e o fez enquanto ainda tinha 19 anos.
Conway morreu nesta semana aos 73 anos, vítima de câncer pancreático. Diagnosticado em 2022, o roteirista enfrentou uma longa batalha que incluiu um procedimento cirúrgico complexo, semanas internado na UTI e um coma induzido. A escritora Gail Simone confirmou que ele havia enviado cartas pessoais a amigos próximos nos últimos dias, avisando sobre o agravamento do quadro.
Conway começou na Marvel no início dos anos 1970, trabalhando sob Roy Thomas em histórias curtas de antologias como Chamber of Darkness e Tower of Shadows. Passou pelos títulos de Demolidor, Ka-Zar, Homem de Ferro e Hulk antes de receber o trabalho mais cobiçado da editora.
Com apenas 19 anos, assumiu The Amazing Spider-Man no número 111 — sucedendo Stan Lee como escritor principal do Homem-Aranha. Não é pouca coisa. Stan Lee era a Marvel. Quem vinha depois carregava uma herança absurda.
Conway não só carregou — ele a expandiu.
Em 1973, co-criou O Punidor em Amazing Spider-Man #129, ao lado do artista Ross Andru. Frank Castle chegava às páginas como um anti-herói implacável e moralmente complexo, décadas à frente do que os quadrinhos mainstream costumavam apresentar. Cinquenta anos depois, o crânio no peito continua sendo um dos símbolos mais reconhecíveis dos quadrinhos.
Mas foi no mesmo ano, nos números 121 e 122, que Conway escreveu aquela que talvez seja a história mais impactante da Era de Bronze: