O Reboot de Resident Evil Que Pode Consertar Tudo Que Anderson Estragou

Zach Cregger segue a lição que RE7 Biohazard deu aos games: menos herói invencível, mais terror de verdade

Vinte anos de filmes do Paul W.S. Anderson ensinaram uma coisa importante: dá pra construir uma franquia inteira em cima da mulher do diretor salvando o mundo com katanas e óculos escuros enquanto zumbis explodem em câmera lenta. Dá. Mas não dá pra chamar isso de Resident Evil.

O novo reboot, dirigido por Zach Cregger — o mesmo de Barbarian, um dos melhores filmes de terror da década —, acaba de ganhar trailer. E o que aparece na tela sugere que alguém, finalmente, entendeu do que essa franquia realmente se trata.

A Regra Que RE7 Quebrou

Quando Resident Evil 7: Biohazard chegou em 2017, a Capcom fez uma aposta arriscada: trocou os protagonistas carismáticos e super-treinados da série por Ethan Winters, um civil sem nenhum preparo especial, jogado numa mansão infestada atrás da esposa desaparecida.

Não era mais Chris Redfield quebrando pedras com os punhos. Era você — um cara comum — tentando sobreviver ao que nunca deveria existir.

O resultado foi o melhor Resident Evil em anos. E a lição ficou: o terror funciona quando o protagonista é vulnerável. Quando você pode morrer. Quando a ameaça parece real porque o herói não é super-humano.

O trailer do reboot de Cregger parece ter aprendido exatamente essa lição — e está aplicando ela pela primeira vez numa produção de Hollywood com a franquia.

O Que Anderson Nunca Entendeu

Os filmes da Milla Jovovich têm defensores — e tudo bem, entretenimento vazio também tem valor. Mas eles tinham um problema estrutural que nenhuma sequência conseguiu resolver: Alice era invencível desde o primeiro ato.

Invencibilidade mata o terror. Se o público sabe que a protagonista vai sobreviver, decapitar três Nemesis e ainda sair com os cabelos no lugar, o que exatamente está em jogo? Nada. É um videogame de ação com estética de Resident Evil costurada por cima.

Cregger faz filmes diferentes. Barbarian é uma aula de como construir tensão a partir da desorientação do espectador — você nunca sabe o que está por vir, e isso é aterrorizante. Esse instinto, aplicado ao universo de Raccoon City, é exatamente o que a franquia cinematográfica sempre precisou.

Um Recomeço de Verdade

O reboot indica que desta vez o protagonista não será um supersoldado com poderes especiais, mas alguém que o público pode reconhecer — vulnerável, perdido, tentando entender o que está acontecendo antes que seja tarde demais. A mesma energia de Ethan Winters. A mesma proposta que salvou os games.

É a aposta certa. Não porque seja inovadora — RE7 já provou que funciona —, mas porque é a primeira vez que Hollywood parece disposta a fazer essa aposta de verdade, com um diretor que sabe exatamente o que está fazendo dentro do gênero.

A franquia de Anderson deixou saudade em quem cresceu com ela. Mas deixou vazia quem queria ver Resident Evil de verdade nas telas. Cregger parece estar aí pra preencher esse espaço.

O trailer prova que é possível. Agora é esperar o filme provar que é inevitável.

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