Existe uma diferença fundamental entre uma obra que choca e uma que envelhece mal. Chocar pode ser virtude — provocar desconforto, abrir feridas que precisam ser abertas. Envelhecer mal é outra coisa: é quando o texto revela mais sobre as limitações do seu tempo do que sobre a profundidade do seu autor.
\n\nA DC Comics tem um catálogo de décadas. Inevitable, então, que alguns títulos icônicos não passem intactos pelo filtro do presente. A questão é entender por quê — e o que esse diagnóstico diz sobre o mercado de quadrinhos, ontem e hoje.
\n\nA leitura preguiçosa diz que HQs antigas envelhecem mal porque continham racismo, sexismo, estereótipos de época. Isso é verdade — mas é a parte fácil. O que ninguém quer admitir é que algumas obras da era moderna envelheceram igualmente mal, por razões diferentes e mais reveladoras.
\n\nIdentity Crisis (2004), de Brad Meltzer, é o caso mais sintomático. Na época, foi ovacionado como