The Boys: A Temporada Final Chegou — E o Supernatural Também

Eric Kripke reúne o elenco de Supernatural para a despedida da série que virou TED Talk com sangue cenográfico

Existe um certo tipo de prazer amargo em assistir uma série que você amou se transformar em outra coisa completamente diferente. E depois, no momento em que você já tinha quase desistido, ela te dá um motivo visceral para voltar.

Esse é o dilema de The Boys Temporada 5, que estreou nesta quarta-feira, 8 de abril, no Prime Video — com dois episódios de largada e a promessa de encerrar, de uma vez por todas, o confronto entre Billy Butcher e o Capitão Pátria.

Mas antes de falar sobre o fim, é preciso falar sobre a trajetória.

Era uma vez a série mais anárquica do streaming

Quando The Boys estreou em 2019, havia algo genuinamente subversivo acontecendo. A série de Eric Kripke — baseada nos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson — destruía todo mundo sem piedade ideológica. Corporações, fanáticos, ativistas, mídia, militares, celebridades. A guilhotina cortava pescoços à esquerda, à direita e no centro. Era sátira de verdade: a que ri de si mesma e do espectador ao mesmo tempo.

Homelander não era o vilão de um partido político. Era o vilão do ser humano. A encarnação do que acontece quando poder absoluto encontra ego sem freio e ausência total de empatia. Universal. Shakespeariano. Atemporal.

Antony Starr entregava — e ainda entrega — uma performance que envergonha metade das indicações ao Emmy dos últimos cinco anos. Um ator carregando nas costas o peso de uma série que, nas últimas temporadas, esqueceu que tinha uma espinha dorsal narrativa e passou a usar o sangue cenográfico como substituto de roteiro.

Kripke escolheu um lado. E a sátira quase morreu junto.

A Temporada 4 foi um ponto de tensão real. Aquele momento em que você olha para a tela e percebe que a série que zoava todo mundo passou a ter um alvo específico, a repetir a martelada semanalmente — e espera que você sorria e agradeça pela lição.

Olha só: criticar demagogia, fascismo corporativo e culto à personalidade é legítimo. É o DNA da série. O problema é quando você faz isso apontando sempre para o mesmo lado, cercado de pessoas que concordam completamente com você, em Los Angeles, para uma audiência que já concorda com você — e chama isso de coragem.

Kripke chegou a dizer que ficou “empolgado” porque as distopias que escreveu “já estão acontecendo de verdade”. Parabéns. Um showrunner de Hollywood que critica o poder estando no epicentro do poder cultural global. Praticamente um dissidente soviético. Alguém avisa a Cruz Vermelha.

The Boys na Temporada 1 zoava todo mundo. Isso é sátira. O que a série foi se tornando nas últimas temporadas é catequese com orçamento de streaming. Tem diferença.

Mas então chegou a Temporada 5. E com ela, os caçadores de demônios.

Me responda uma coisa: você consegue ficar completamente indiferente quando os três protagonistas de Supernatural aparecem juntos na mesma cena pela primeira vez desde 2020?

Porque eu tentei. E não consegui.

Jensen Ackles já estava no universo de The Boys como Soldier Boy desde a Temporada 3. Mas a Temporada 5 vai além: Kripke trouxe Jared Padalecki e Misha Collins para o episódio 5, completando a reunião do trio de Supernatural — que ele mesmo criou em 2005 e comandou por cinco temporadas antes de passar o bastão.

O próprio Kripke chamou de seu “jogo de Pokémon do Supernatural”: foi capturando os atores um a um ao longo das temporadas, até “completar a Pokédex”. Resultado: a primeira vez que Dean, Sam e Castiel — perdão, Soldier Boy, o personagem de Padalecki e o de Collins — aparecem juntos desde o fim de uma série com 15 temporadas e uma legião de fãs devotos.

Ackles admitiu estar “nervoso” para ter os amigos no universo caótico de The Boys. Disse que a cena deles juntos é “bananas” e que o episódio inteiro “é definitivamente um que vale ficar de olho”. Kripke confirmou ao Entertainment Weekly que os três aparecem na mesma cena, na mesma história — não são cameos isolados, mas um arco estruturado.

E os personagens de Padalecki e Collins? Segundo Kripke: “uns idiotas moralmente questionáveis”. Soldier Boy, claro, também não é exatamente um escoteiro. Estão reunidos os três. Seis anos depois do fim de Supernatural. No universo mais violento e irônico do streaming.

A ironia é deliciosa.

A temporada final em fatos

  • Estreia: 8 de abril de 2026 (dois primeiros episódios simultâneos)
  • Episódios: 8 no total, lançados toda quarta-feira
  • Finale: 20 de maio de 2026
  • Episódio 1: “Fifteen Inches of Sheer Dynamite”
  • Premiere mundial: 19 de março de 2026 — Cinema Moderno, Roma
  • Plataforma: Prime Video (exclusivo)

O showrunner prometeu que o final será “gory, epic e emocionalmente devastador”. Personagens morrerão. Karl Urban pediu aos fãs que se preparassem emocionalmente já no primeiro episódio. Outro ator confirmou: não haverá final feliz. Será “insano”.

O veredito (provisório)

Conecte os pontos: uma série que perdeu o rumo narrativo nas últimas temporadas, mas que ainda conta com Antony Starr entregando um vilão de geração, Jensen Ackles numa performance magnética como Soldier Boy, a reunião genuinamente emocionante do elenco de Supernatural, e a promessa de um final sem concessões.

Isso não é pouca coisa.

A pergunta é se Kripke vai conseguir — nessa reta final — recuperar o que fez a série ser grande: a capacidade de destruir todo mundo com a mesma guilhotina implacável, sem poupar ninguém. Se conseguir, The Boys vai terminar como começou — como uma das séries mais corajosas da era do streaming.

Se escolher o sermão em vez da sátira até o fim, vai entrar para a lista — ao lado de She-Hulk, Secret Invasion e tantos outros — de obras que trocaram boa narrativa por ideologia de turma.

Os dois primeiros episódios estão disponíveis agora. O veredicto final, dia 20 de maio.

A conta chegou, Kripke. Simples assim.


Fontes: TVLine | Amazon MGM Studios | Entertainment Weekly

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